SENADOR DIZ QUE MARIELLE TEVE ‘FELICIDADE’ DE SER NOME NACIONAL E GERA BATE-BOCA NO CONGRESSO

13
mar

prisão dos suspeitos da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) deu origem a um bate-boca durante a sessão desta terça-feira (12) da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que a vereadora do Rio de Janeiro, morta em 14 de março do ano passado, teve a “felicidade” de ser um nome nacional e que deveria haver força-tarefa para todas as mulheres, “independentemente do nome”.

O tema foi trazido à sessão pela senadora Eliziane Gama (PPS-MA), que comentou a prisão do policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e do ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. Ambos negam participação no crime.

“Não é um crime apenas contra uma mulher; é um crime contra uma ativista, uma mulher que lutou até a morte para o combate à violência, uma mulher que lutou com todas as suas forças para que realmente situações como essas pudessem ser evitadas, e ela, infelizmente, acabou pagando isso com a própria vida através de uma ação covarde e brutal”, disse Eliziane Gama.

A senadora, então foi sucedida por Aziz.

“É, mas não só com a Marielle. Acho que nós deveríamos ter força-tarefa para todas as mulheres que são assassinadas no Brasil, independentemente do nome, porque há muitas mulheres incógnitas no Brasil que são assassinadas também. Elas só não têm a felicidade de serem um nome nacional, como é a Marielle. A Marielle foi assassinada juntamente com um rapaz que era motorista dela, cuja família deve estar passando por dificuldades, até porque era ele quem pagava as contas”, afirmou o senador.

E seguiu:

“Eu acho que nós temos de ver o crime da Marielle? Sim! Mas há milhares de Marielles assassinadas e não há essa repercussão toda que a mídia dá”, declarou.

A partir deste momento, começou o bate-boca entre os dois.

“Primeiramente, infeliz é o senhor quando fala da forma como se coloca em relação às mulheres”, disse Eliziane.

“Infeliz?”, reagiu Aziz.

“O senhor falou da felicidade que a Marielle teve em morrer”, afirmou Eliziane.

“Não, não, não! Não faça isso não!”, retrucou Aziz.

“Vossa excelência falou! Está registrado e pode colocar novamente. Vossa excelência disse que as mulheres, infelizmente, não tiveram a felicidade que a Marielle teve de ter uma repercussão nacional e internacional. Então, a palavra infeliz foi de vossa excelência”, rebateu Eliziane.

A senadora disse, então, que o presidente da CAE tinha que pedir perdão pelo que havia dito, o que Aziz se recusou a fazer.

“Não, não! Eu não vou lhe pedir desculpas pelas palavras que eu coloquei. Todas aquelas que eu coloquei reafirmo. Quando eu falo em felicidade é porque o crime dela está sendo investigado pelo que se tem de melhor no Brasil. Foi isso. Agora, a senhora querer aqui dimensionar barbárie em um assassinato… Aí, a senhora não tem essa qualificação para dimensionar. Para mim, assassinato é assassinato”, disse Omar Aziz.

A discussão seguiu e o presidente da comissão tentou encerrar o assunto.

“Não vou bater boca com a senhora, porque acho que a senhora está querendo colocar… Quer se melindrar, fazer mi-mi-mi em discussão que não é por mi-mi-mi”, afirmou.

“Não é mi-mi-mi, presidente! Pelo amor de Jesus Cristo! Mi-mi-mi?! Tratar de um assunto dessa natureza é mi-mi-mi, presidente?”, indagou a senadora.

A discussão acabou com uma intervenção do líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), oriundo da Polícia Militar.

“Sempre tive o entendimento de que o bandido é bandido, não há esquerda, não há direita, não há partido político. Conduta de bandido é conduta de bandido; conduta de miliciano, de pé de pato, de matador de aluguel, seja o jargão que se tenha, tem que ser combatido efetivamente no limite e no rigor da lei”, afirmou.

Segundo a denúncia, Lessa disparou os tiros que mataram Marielle, e Queiroz dirigiu o carro que interceptou a vereadora, de onde partiram os disparos.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios do Rio, Giniton Lages, disse em entrevista coletiva que as investigações do caso, ocorrido há 363 dias, ainda estão no início.

FOLHAPRESS